Esse blog, mais um em uma imensidão de blogs, é fruto de duas leituras realizadas para a disciplina Tecnologias da Comunicação, do quinto período do curso de Comunicação Social - Jornalismo da Universidade Federal de Uberlândia. O desafio na tarefa era apresentar essas leituras de uma maneira que fugisse do comum presente no cenário acadêmico: resenha impressa, formatada, fechada.
Quase que por uma metalinguagem esse blog surgiu. O primeiro tema, memória, quando combinado com o segundo, blogs, gera uma confusão contemporânea que nos remete ao ato de guardar tudo na web.
Assim, tivemos a sublime ideia de compartilhar com quem quiser ler, tudo aquilo que conseguimos apreender e compreender dessas leituras e reflexões. Convidamos, inicialmente, a ouvir nosso audio que mais se parece a uma junção de ideias, misturado com um quase resumo das obras. Ao final, percebe-se que é mais um cartão de visita para a leitura de nossas resenhas, em sequencia encontradas aqui nesse espaço.
Áudio e texto se complementando, chegaremos assim ao nosso objetivo com esse trabalho em forma de blog (ou blog como trabalho de graduação): porque reduzir nossas impressões à algumas formatações da ABNT?
Histórico Tecnológico
domingo, 24 de maio de 2015
Cultura, Representação e Informação Digitais
Um dos primeiros temas trabalhados na obra do CRIDI é a preservação documental, feita em suma pela arquivologia do curso de História. No entanto, junto a isso, o início do livro trará algumas reflexões voltadas à intenção dos profissionais e da importância dessa preservação na sociedade. Isso é exemplificado no caso de algumas universidades e instituições que fizeram uma reforma curricular, dando ao estudante a noção de responsabilidade e memória social. A memória é, para os integrantes do grupo, uma preocupação cultural e política e, nesse sentido, tudo que a envolve vai além da simples preservação física de algo considerado histórico. É interessante reparar que o esquecimento é visto como uma ação do psicológico, e não como ausência de pensamento. É uma espécie de tática que o inconsciente toma para atingir alguns estágios, como o de felicidade, por exemplo.
A temática da atualidade no livro se torna presente com o termo “digital”, o qual muda toda a ideia da prática da preservação. De algo físico e palpável, a conservação da memória é, agora, algo presente em uma espécie de “nuvem”, característica da digitalização social. A informação, cada vez mais eficaz e rápida, torna o processo de memorização um verdadeiro desafio imposto aos profissionais da preservação. Também é um desafio para o que os autores chamam de “Sociedade da Informação”, que por vezes não é capaz de acompanhar tudo o que é disponibilizado. É nesse sentido que se forma toda uma crise de identidade no ato da conservação da memória, que se confunde entre passado tradicional, da fisicalidade, e futuro digital, que existe na “nuvem”. Por outro lado, a rede digital não é vista como algo essencialmente negativo: o problema vem apenas com a falta de reflexão e esvaziamento de criticidade.
Posteriormente, toda a análise dos artigos recorre sobre uma noção política muito forte. Os arquivos, que no passado eram “segredo de Estado” para manutenção do poder, agora passam a ser acessados pelo cidadão. Atualmente, essa ideia da “informação a favor da cidadania” é vista através dos computadores, que acabam por democratizar (em partes) o acesso às informações. Isso é visto pelos autores como uma problemática, já que esse acesso não conscientiza da maneira correta, sendo, por outro lado, um serviço de manipulação ampliado. É essa a dualidade que será trabalhada com a ideia da dialética de Marx. A relação da mídia é, hoje, algo contraditório, na medida em que possibilita uma ampliação do acesso à informação, ao mesmo tempo em que ainda é mantida por interesses de poder. Sendo assim, a rede é um espaço para reivindicações contra hegemônicas, mas também é espaço mantido por essa classe superior que, na maior parte das vezes, não objetiva a construção do conhecimento. Para o grupo CRIDI, mesmo havendo a contradição, os processos informacionais do ciberespaço podem ainda ampliar a consciência social. Isso ocorre quando existe uma conexão e troca de saberes, ideias, críticas e conceitos humanistas, formando a chamada “inteligência coletiva”.
O livro vai chegando ao fim com o debate da democratização pelos meios digitais. Primeiramente, na opinião dos autores, seria necessária uma alfabetização informacional que conscientizasse e gerasse uma visão crítica da realidade social. Ainda assim, fica claro que há ainda um caminho a ser percorrido para que essa democratização seja realmente uniforme e democrática.
A obra é finalizada com dois últimos temas ligados à preservação de memória: a microfilmagem do período colonial da Bahia e a rememoração da história da Universidade Federal da Bahia. A participação do SOIMA 2007 (Safeguarding Sound and Image Collections) também é colocada em forma de artigo, sendo um evento onde foi possível obter mais conhecimento na preservação da memória. Portanto, o livro termina com temas mais leves coletados e vivenciados pelos componentes do grupo.
“Cultura, Representação e Informação Digitais” é uma obra teórica e bastante densa em conteúdo, mas ainda assim, de linguagem tranquila, fazendo com que a leitura seja bastante fluida. É interessante o fato de que o livro venha junto com um debate sobre a dialética de classes de Karl Marx, pois falar de meios digitais é falar em uma luta de poder extremamente presente.
Em minha opinião, a ideia de que esses meios são contraditórios é muito legal e verdadeira, porque mesmo se tratando de um espaço democratizador de informações, também é um meio que seleciona para quem essa democracia é voltada. Sabemos que, hoje, não são todas as pessoas que possuem o acesso aos meios digitais, portanto, quando o assunto é a preservação da memória, ainda existe uma boa parte da sociedade que não consegue fazer parte do que é arquivado. Essa parcela que é excluída fica, ainda, distante de contra hegemonia que é feita por alguns grupos minoritários que se apropriaram desses meios, como a causa feminista, a causa racial e homossexual.
O livro é importante, pois consegue conscientizar sobre a importância da preservação da memória partindo de outros temas menores, mas não menos importantes. É uma leitura muito prazerosa e que fomenta várias discussões e reflexões mais humanas, proporcionando outra visão acerca dos meios digitais e da sociedade como um todo.
Blogs.com: estudos sobre blogs e comunicação
O livro Blogs.com: estudos sobre blogs e comunicação
concentra em si uma coleção de estudos sobre blogs, esse espaço que desde antes
dos anos 2000 começava a ganhar espaço na web como lugar para depósito de
ideias, opiniões e a feitura de um diário online indo contra um dos pilares dos
diários escritos: o segredo.
Organizado pelas pesquisadoras na área da
comunicação Adriana Amaral, Raquel Recuero e Sandra Montardo, o livro convoca
uma discussão cientifica sobre os temas que os circundam, partindo desde a
concepção dos blogs, sua definição, sua relação com os gêneros feminino e
masculino, faixa etária e espaço geográfico até chegar no jornalismo e os
impactos causados pelos blogs.
Logo no inicio, o livro começa a discutir uma das
maiores ferramentas fornecidas pelos blogs: mesmo aqueles que não entendem de
informática podem publicar quaisquer tipos de informações. Os dados de 2007
chocam pela grandeza: a cada dia, são criados mais de 175 mil novos e
produzidos 1,6 milhões de posts (cerca de 18 por segundo). Com isso, começa um
processo de transformação que dá voz ao maior número de pessoas que já se pode
imaginar, transformando o cenário social e político.
O que alavancou o uso dos blogs na web foi o
surgimento das ferramentas de publicação. Em 1999, a Pitas lançou a primeira
ferramenta de manutenção de sites via web, seguida, no mesmo ano, pela Pyra,
que lançou o Blogger deixando de ser necessário o conhecimento em HTML,
facilitando e simplificando a manutenção dos blogs. Com isso, o uso dessa
ferramenta como diário pessoal, com seus usuários relatando os dias, as
experiências, as novidades de sua vida sendo compartilhadas. Ainda hoje, os
blogs são altamente usados com essa finalidade.
No entanto, o que caracteriza um blog? Os textos
mais recentes no topo da página e atualização frequente são duas das
características que os diferem de outros espaços na web. Assim, os blogs se
caracterizam como uma ferramenta de comunicação, uma mídia personalizada, com o
toque pessoal de seu autor. É explicitado que mesmo aqueles blogs que não tem
estampados as opiniões do autor, o tem representado pelas suas escolhas, como
por exemplo, quais links de referencia são publicados e até mesmo o layout
escolhido para configurar a página.
Um importante ponto trazido é a rede de socialização
criada pelos blogs. Comentários e links publicados nos blogs conseguem atrais
não somente o leitor mas principalmente uma interação social entre produtor de
conteúdo e seus receptores. A troca de interesses também começa a fazer
diferença, na medida em que um blog é visitado a partir de sua temática –
opinativa, literária, econômica – e outros blogs começam a ser visitados também
como uma troca de links e endereços eletrônicos.
Um dos artigos, escrito por Rose Meire Carvalho de Oliveira,
discute a relação dos blogs com os gêneros. Segundo a autora, os blogs
carregam, historicamente, o preconceito sobre a escrita feminina. Sempre
escrita para a esfera particular, as mulheres registravam em seus diários
escritos dilemas que não se referiam a guerras, problemas econômicos ou
políticos.
Outra discussão que o livro carrega é sobre a
necessidade de ser conhecido. O anonimato não é visto com bons olhos pela
sociedade do espetáculo na qual vivemos e com isso, precisamos ser notados,
vistos, lidos. Os blogs, inseridos nessa sociedade, fazem o papel de tornar
seus autores notados, tirando-os do anonimato. O interessante apontado pela
obra é que o sucesso adquirido pelos blogs se difere do sucesso dos astros e
estrelas conhecidos por nós nos filmes e telas de televisão, mas esse sucesso
na web se forma sobre aquilo de mais comum no ser.
Foi, no entanto, em 2001, após o atentado as torres
gêmeas, que os blogs começaram a ter uma relação mais direta com o jornalismo.
Com o incidente acontecido no dia onze de setembro, diversos blogs começaram a
surgir para informar e mais do que isso, também opinar. A facilidade dos blogs
contribuíram para que eles pudessem ser uma ferramenta a mão daqueles que
estavam aptos a discutirem temas que antes ficavam restritos aos meios de
comunicação. O grande público começa ser atingido e os blogs começam a exercer
uma função até então tímida: tornar-se um espaço democrático opinativamente e
começa a convidar mais e mais pessoas para esse meio.
O que chama a atenção nesse livro, entre tantos
estudos, é a simplicidade com que os temas são abordados. Em uma progressão
interessante, os artigos iniciais – após apresentação das organizadoras e uma
síntese de suas ideias – discutem o inicio desse novo cenário dos blogs,
anteriormente chamados de weblogs (web + logs = diário na web), antes mesmo dos
anos 2000, sua crescente evolução com o nascimento de ferramentas simples que
tornam desnecessários conhecimentos de HTML e informática. Sequencialmente, os
artigos trazem discussões sobre a relação dos usuários com os blogs já
conhecidos mundialmente e quais as diferenças entre a relação de homens e
mulheres com os blogs, quais faixas etárias mais usufruem dessa ferramenta.
Posteriormente, os estudos começam a seguir as discussões rumo a relação desse
uso com o jornalismo, transitando de uma grande rede de conhecimento e trocas
de informações para um espaço em que as pessoas podem opinar, informar,
comentar, questionar e discordar.
Atualmente, existem ainda aqueles blogs em que
recursos de anúncio garantem ao autor um dinheiro extra. Redes sociais se
interligam, como o Youtube e blogs, permitindo tutoriais de maquiagem,
culinária, discussões literárias e até aulas de matemática.
E ao final do livro, é possível visualizar que o
espaço dos blogs na web avançou todas as barreiras possíveis imaginadas lá em
seu nascimento. Hoje, possibilitando todo tipo de uso, os blogs se tornaram
parte da web não consegue funcionar sem eles. O fluxo de informações circula,
em grande parte, em espaços informais como eles. Grandes portais e veículos de
comunicação, como o Uol e Globo Esporte , por exemplo, anexam em seus sites
listas de blogs que tematizam assuntos relevantes a depender da editoria. Há espaço para todo assunto, para toda
discussão.
O livro Blogs.com: estudos sobre blogs e comunicação
consegue trazer a importância dos blogs de maneira simples e seguindo uma das
características desse espaço da web: oferecendo diversos olhares sobre um mesmo
ponto, propondo um debate mais rico e democrático.
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